twitterfacebookyoutubeemail

Social Icons

Mostrando postagens com marcador é eleito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador é eleito. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de outubro de 2014

Eleitores deixam de votar ao saber que votos já estavam registrados

Foto reprodução Facebook extraída pelo g1 (PE)

Pelo menos dois eleitores pernambucanos relatam não terem conseguido votar neste domingo (05). Segundo eles, ao chegar às seções eleitorais, seus nomes já constavam das listas de votos registrados. Os casos aconteceram no Recife, onde já há voto por identificação da impressão digital, e em Jaboatão dos Guararapes, que ainda não conta com a tecnologia.
Por telefone, a servidora estadual Sandra Branco contou que chegou para votar na escola Brigadeiro Eduardo Gomes, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Depois de ter entregue os documentos ao primeiro mesário e de ter recebido dele o comprovante de votação do primeiro turno, ela foi informada pela segunda mesária que estava impedida de votar.
"Ela digitou o número do meu título na máquina e me disse assim: 'Você está impedida de votar, porque consta aqui que você já votou'. Perguntei como aquilo era possível, já que não tinha colocado minha digital. Ela colocou o título de novo, e como deu a mesma coisa, pedi para falar com um supervisor, um encarregado."
Sandra disse que um outro rapaz chegou, repetiu o procedimento e, diante do mesmo resultado, disse que não poderia fazer nada e pediu que a eleitora fosse para casa. "Isso é muito grave, e vou denunciar, porque do jeito que aconteceu comigo, pode ter acontecido com outros. Foi tirado o meu direito de exercer minha cidadania, me impedindo de dizer em quem quero votar", queixa-se.
A eleitora conta ainda que foi orientada a procurar a ouvidoria do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) na segunda-feira, para fazer uma queixa e relatar o ocorrido. "A presidente da mesa ficou muito irritada comigo, porque eu parei a mesa, parei a seção. Acho que não devo ser um caso isolado, e isso demonstra que o sistema é falível", aponta.
Acompanhada por um advogado, Sandra voltou à escola e repetiu todo o processo. Ela diz que o advogado procurou um juiz eleitoral por telefone e foi ao posto do TRE-PE no Forte das Cinco Pontas, no Recife, mas ela realmente não pôde votar. "Estou chocada. Um desembargador disse que é mais fácil um boi voar do que alguém ter votado no meu lugar. Para quem foi esse voto? Eu não sei. O que se pode fazer se o tribunal diz o que diz?", questiona.
O analista de sistemas Wildson Coutinho, 47 anos, também não pôde votar. Ao chegar ao colégio Souza Leão, em Candeias, Jaboatão dos Guararapes, foi informado ainda pelo primeiro mesário que já havia um voto registrado no nome dele.
"A ata estava assinada, mas informei a eles que a assinatura não era a minha e o nome não era o meu. Como é que eu vou ser penalizado por um erro desses? Queria votar, exercer minha cidadania", conta.
Coutinho procurou o supervisor do prédio e, com ele, foi às quatro seções eleitorais existentes no local, para tentar identificar nas listas o nome da pessoa que votou no lugar dele, mas nada foi localizado. "O fato é que fiquei sem votar, sem exercer o meu direito. O supervisor foi muito solícito e disse que ia levar o caso à Justiça Eleitoral".
O que diz a Justiça Eleitoral
De manhã, o desembargador Paulo Roberto de Oliveira Lima, integrante da comissão totalizadora do TRE-PE, negou que a eleitora Sandra Branco tenha sido impedida de votar. "Isso é impossível acontecer no sistema biométrico. Ouvimos rumores, mas não houve nenhuma comunicação ao TRE", disse.
Na entrevista coletiva realizada à tarde, o desembargador Alfredo Hermes deu outra explicação. "Pode ter acontecido dessa maneira [que a eleitora contou] e o presidente de mesa deve resolver. Eu teria que examinar a situação. O que as vezes ocorre é que dois eleitores chegam ao mesmo tempo na frente do mesário, e ele entra para liberar a biometria. Quando libera em nome do primeiro eleitor, a cabine já esta liberada. Aí inadvertidamente, o que chegou em segundo pode ter entrado na cabine e feito a votação. É um fato isolado, não consta que uma pessoa tenha duplicidade de digital com outra", informou.
Do g1 (PE)

Paulo Câmara, do PSB, é eleito governador de Pernambuco

Foto Arquivo 
Paulo Câmara, do PSB, foi eleito neste domingo (5) para ser o governador de Pernambuco nos próximos quatro anos. Apuradas 82% das urnas no estado, o socialista apareceu com 67,71% votos válidos. O senador Armando Monteiro (PTB) aparece em segundo lugar, com 31,46%.


Com a vitória, o PSB segue no comando do Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual. A gestão de Câmara será a terceira seguida do partido, que saiu vitorioso nas eleições de 2006 e 2010, com Eduardo Campos. O vice João Lyra Neto completou o mandato a partir de abril, quando Campos deixou o cargo para se dedicar a sua campanha para presidente. Lyra era do PDT, mas acabou indo para o PSB em 2013.

Recifense, Paulo Câmara tem 42 anos e é formado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco. Na mesma instituição, tornou-se especialista em Contabilidade e Controladoria Governamental e mestre em Gestão Pública. Auditor concursado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), entrou para o governo estadual em 2007, como secretário de Administração. Em 2010, assumiu a secretaria de Turismo e, em janeiro do ano seguinte, a da Fazenda. Nesta última pasta, ficou até o início de 2014, quando foi indicado pelo partido para concorrer às eleições.

O ex-governador Eduardo Campos conduziu pessoalmente o processo de escolha do postulante ao governo. Câmara acabou sendo o selecionado em detrimento a outros quadros tradicionais do partido, como Danilo Cabral, Tadeu Alencar e Sileno Guedes - este último, atual presidente estadual do PSB. O ex-petista Maurício Rands, que coordenou o programa de governo da campanha de Marina Silva, também chegou a ser cogitado nos bastidores.

Campanha
Inicialmente desconhecido pelo eleitorado pernambucano, Paulo Câmara iniciou a corrida pelo Palácio do Campo das Princesas em baixa nas pesquisas de intenção de voto. No levantamento publicado pelo Datafolha em 15 de agosto, por exemplo, ele tinha 13%, contra 47% de Armando Monteiro (PTB). Parte deste desempenho do socialista se devia ao fato de que poucos eleitores sabiam que ele foi o candidato indicado pelo ex-governador Eduardo Campos.

Com o início do guia eleitoral e a intensificação das agendas de rua, Câmara foi ganhando espaço aos poucos. Por conta da ampla coligação costurada por Eduardo Campos, composta por 21 partidos, o candidato teve direito a mais de 10 minutos para apresentar suas propostas na TV e no rádio. O concorrente do PTB teve menos da metade do tempo. Ao passo que foi se tornando mais conhecido, Paulo Câmara foi subindo nas pesquisas: no início de setembro, já aparecia empatado com Armando Monteiro.

O socialista se apresentou ao longo da campanha como um quadro técnico que teve atuação destacada ao longo da gestão do PSB entre 2007 e 2014. Em muitos debates, disse ter sido o secretário que aumentou a capacidade de investimento do governo, "transformando gasto ruim em receita boa".

Passado o clima de comoção que tomou a campanha com a morte de Eduardo Campos, a família do ex-governador passou a ter uma participação mais ativa nas agendas de Câmara. Primeiro, o filho homem mais velho, João Campos, acompanhou a Frente Popular em vários atos no interior do estado. Na sequência, a viúva Renata e os outros filhos também subiram ao palanque. Na semana final de campanha, a família completa, com exceção do bebê Miguel, figurou ao lado de Paulo Câmara em comícios na área central do Recife..

Propostas
Apesar de o plano de governo da candidatura só ter sido lançado a poucos dias das eleições, Paulo Câmara aproveitou as entrevistas na imprensa e o amplo espaço no guia eleitoral para divulgar suas propostas. Uma das principais delas, e talvez a que mais recebeu críticas dos adversários, foi a de dobrar o salário dos professores da rede estadual dentro de quatro anos. Também no campo da educação, prometeu universalizar as oportunidades nas escolas em tempo integral.

Durante a campanha, o postulante do PSB ainda atribuiu ao governo federal o atraso em algumas obras de mobilidade no estado, como o projeto de navegabilidade do Rio Capibaribe e o Arco Metropolitano. A estratégia foi utilizada por conta da polarização com Armando Monteiro, candidato apoiado pelo PT.

Na saúde, assim como o ex-governador Eduardo Campos, Paulo Câmara também fez promessas de construir novos hospitais, como o Geral de Cirurgias, no Grande Recife, e o Geral do Sertão, em Serra Talhada. Na mesma área, propôs a construção de mais seis UPAEs, voltadas para o atendimento especializado.
extraído do g1