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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Coluna do Elielson desta quinta-feira

TSE aprova calendário eleitoral de 2016 e encurta campanha.   Bons pra uns, péssimo pra outros!       

 Teremos no próximo ano a campanha mais curta dos últimos 30 anos, com apenas 45 dias de eventos na rua e com guia de rádio e TV também reduzidos. Essas foram umas das poucas mudanças que aprovaram na pífea Reforma Política no Congresso Nacional neste ano.
Muita gente comemorou essas mudanças, com o discurso: de gastar menos, ser mais intesiva e não parar três meses de um ano para discutir política partidária entre outros argumentos.

Mas por outro lado, essa nova medida beneficiará quem está com boa avaliação nas sondagens eleitorais e/ou quem está no mandato ou seja com a máquina, como muitos falam. Porque esses largam na frente diante dos outros candidatos que vão tentar ainda se projetar, se fazer conhecido, pulverizar seu nome e suas ideias.

Para os candidatos, a eleição de 2016 deve começa com uma boa pré-campanha. Propositiva, argumentativa, o povo está cansado de só promessas e rinha de galo. As redes sociais será em muitos casos para não dizer todos, o fiel da balança, quase determinante.
Por fim, vence quem erra menos e propor mais. A crise não poderá ser mote de desculpas ou ingerências, a crise existe e tem que ser debatida, mas sem exaustão nesse período. Que vença o melhor!

Elielson, sempre esta escrevendo sobre os principais acontecimentos políticos. Aqui, no ON, ele estará todas às quintas-feiras.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Como o governo pode conter bilhões restringindo a propaganda de bebida

Por Marcelo Godoy

Ainda assim, em 2011 o governo gastou mais de R$ 20 bilhões no tratamento de pacientes com doenças relacionadas ao cigarro. O valor equivale a 30% do orçamento do Sistema Único de Saúde daquele ano e é 3,5 vezes maior do que a Receita Federal arrecadou com produtos derivados do tabaco no mesmo período.

O Brasil perde 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em decorrência de problemas relacionados ao álcool. O custo do uso abusivo de bebida alcoólica atingiu, em 2014, algo como R$ 372 bilhões.

Todo ano, motoristas embriagados matam 50.000 pessoas. As vítimas de traumatismo chegam a 500 mil pessoas. A maioria dos feridos são levados para um pronto-socorro público. Os planos de saúde não devolvem nada ao SUS. Quem paga a conta dos feridos e mutilados é o cidadão, com seus impostos.

Dilma enviou um orçamento com previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões, o que corresponde a 0,5% do produto interno bruto do país, e pediu ajuda ao Congresso para que encontrem saídas juntos.

O governo precisa cortar sem dó seus excessos e fazer muitos ajustes, mas é importante que, assim como a corrupção, certos comportamentos não sejam mais tolerados.

Por que aumentar impostos da população e cortar certos benefícios sociais se existem alternativas que podem beneficiar a todas as classes sociais?

Fazendo uma conta rápida, dá para ver onde economizar bilhões, salvar milhares de vidas e ainda ter um bom troco para investir em prevenção e educação, assim como aconteceu com o cigarro.

Os dois maiores adversários de uma decisão corajosa e responsável do Congresso para evitar o desperdício inestimável de vidas e de dinheiro são, pela ordem: o modelo de financiamento de campanhas eleitorais e o regime de concessão de rádio e TV.

No primeiro caso, várias carretas lotadas com R$ 242 milhões foram entregues pela indústria de bebidas para 76 deputados de 16 partidos nas últimas eleições.

Somente Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, recebeu sozinho um caminhãozinho com mais de 1 milhão de uma empresa da Ambev.

O financiamento de campanhas de políticos deixa evidente que os interesses de algumas empresas são opostos aos interesses da população e do país.
No segundo caso, a indústria de bebidas despeja anualmente mais de 4 bilhões de reais em publicidade em emissoras de rádio e TV e estima-se que mais de 80 senadores e deputados possuem centenas de concessões de rádio e TV espalhadas em todo pais. Os congressistas são parte deste negócio bilionário.

O Ministério da Saúde, a OMS (Organização Mundial de Saúde) e centenas de organizações não governamentais são radicalmente contra qualquer publicidade de cerveja na TV.

A opinião pública, diferentemente do que aconteceu com o cigarro, ainda não está ciente da relação direta entre a publicidade de cerveja e as tragédias urbanas com acidentes de carros, especialmente com os jovens.

As grandes empresas de comunicação silenciam sobre este tema. Há, inclusive, a regra interna de uma grande emissora de TV de jamais mostrar latas de cerveja em reportagens a respeito de acidentes automobilísticos.

A ABERT, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, atua fortemente para manter seu território, as agências de publicidade lucram com as comissões das emissoras e o Conar, Conselho Nacional de Auto Regulamentação Publicitária, que reúne empresários de comunicação, alega que qualquer restrição a publicidade de bebidas seria “bullying” da liberdade de expressão (sic).

A consequência do atual estado de coisas é que as empresas de bebidas e de mídia ampliam seus lucros enquanto os cidadãos ficam com o ônus dos problemas de saúde e pagam sozinhos uma conta cada vez mais alta, em todos os sentidos.

Cada um faz suas escolhas, não se está discutindo no Congresso o direito de beber ou fumar, nem proibir seu uso. Mas estimular o consumo de álcool, da forma como a publicidade faz na TV e no rádio, não falar abertamente sobre isso e nem tentar impedir esta epidemia de mortes, é uma covardia sem fim e uma falta de amor ao próximo — além de não ajudar em nada a economia do país.

*Marcelo Godoy é Editor chefe, roteirista e apresentador do Programa Clique Ligue da TVT

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Doações empresariais e caixa 2 (“mundo de ladroeiras”)

Por Luiz Flávio

Gilmar Mendes disse: “Se for proibida a doação empresarial, o Brasil será um amontoado de caixa dois”. Na verdade, sempre foi (veja o livro Nobre deputado,Marlon Reis; veja João Francisco Lisboa, Jornal de Timon). E a prestação de contas junto à Justiça Eleitoral sempre foi também “um faz de conta” (como disse o mesmo ministro). Enquanto não reconhecermos que o Brasil se transformou numa grande mafiocracia (“um mundo de ladroeiras”, diria o autor da Arte de furtar), que tem a conivência de muitas autoridades (mancomunadas com o sistema de La Cosa Nostra), não vamos nunca achar uma saída racional para o problema.

Essa deplorável criminalidade dos donos do poder, que deveriam dar o exemplo, não conspurcá-lo, para além da necessidade de ser combatida duramente (dentro do Estado de Direito), será certamente menor do que é hoje, um sistema completamente corrompido, onde as elites do poder (econômico e financeiro) “compram” os mandatos dos políticos (mediante o financiamento das suas campanhas), com a conivência de praticamente todos os poderes, sequestrando a silhueta de redemocracia que inauguramos em 1985. Já são 30 anos de redemocratização, ou seja, de contínua ladroagem do dinheiro público. O cego menos aventurado é o que não quer ver a realidade.

Depois da Operação Lava Jato (sobretudo), não há mais como negar que nossa fantasiosa democracia (puramente formal, eleitoral; restando-lhe pouco da democracia cidadã), ao longo dos anos, foi se transformando numa nefasta mafiocracia (não havendo outro invólucro melhor para exprimir tão deprimente conteúdo). Alguns podem se escandalizar, sobretudo os que chafurdam nessa enlameada e venal mafiocracia, queixando-se de que todos são colocados no mesmo lamaçal sem a prova final dos delitos apontados. Sim, como dizia o autor do livro Arte de furtar (p. 52), “não há regra sem exceção. Mas, meta cada um a mão em sua consciência e achará a prova do que digo: que este mundo é uma ladroeira ou feira da ladra, em que todos [das bandas podres] chatinam [negociam] interesses, créditos, honras, vaidades”.

A faxina necessária dessa venalização do mal passa pelo reconhecimento da inconstitucionalidade das doações empresariais “legais” para candidatos. No STF já são 6 votos nesse sentido. O mais pronto possível, para se iniciar a moralização do processo eleitoral brasileiro, impõe-se aniquilar essa possibilidade de doação empresarial, que se converteu, diga-se de passagem, em veículo de lavagem das propinas da Petrobras (nesse sentido veja o depoimento do empresário-colarinho branco Augusto Ribeiro Mendonça, do grupo Setal: “Foram feitas doações oficiais ao PT a pedido de Renato Duque”, que era o homem de José Dirceu dentro do esquema).

Ricardo Pessoa (da UTC) confirmou a mesma coisa (fez doações que ocultavam a propina. Ou seja: usaram a Justiça Eleitoral para promover a lavagem de capitais sujos). “Todo criminoso deve ter os seus direitos humanos garantidos. Mas nenhum sistema legal pode servir como garantia da impunidade do crime” (José Genoíno).

Os que de forma muito melhor poderiam gerir o poder público o odeiam. Falta-lhes a paixão pelas coisas comunidade, paixão essa que sobra nas piores pessoas encarregadas de cuidarem daquilo que é de todos. A corrupção no Brasil se converteu numa loteria sem os riscos do azar ou da sorte. De cada dez apostas se ganha nove. Com enorme chance de que tudo fique impune. 

Todos os escândalos que aparecem não são senão a ponta de um iceberg, que constitui risco concreto de fazer sucumbir a democracia, já na iminência de se transformar numa oclocracia, que é a interferência das massas rebeladas irracionais na vida pública (não pelas formas ortodoxas, certamente).
Futuro sombrio. A Itália quando passou por um processo de depuração da vida pública (Operação Mãos Limpas) acabou se encontrando com um mau-caráter, chamado Silvio Berlusconi. Essa eventualidade não pode ser descartada do nosso horizonte: em todos os Titanics que estão afundando sempre existem os tiranetes (pequenos ditadores) que apenas aguardam o momento certo para a elevação por meio de aclamação popular. O povo, historicamente, sempre desejou heróis que o substituísse na árdua e pesada tarefa de carregar sobre os ombros os princípios da ética e da moral.

Luiz Flávio Gomes é professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001).

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Opinião: Arte e cultura não estão separadas das questões urgentes de nosso tempo

Umberto Eco

Por dois dias neste verão (no Hemisfério Norte), o ministro da Cultura da Itália, Dario Franceschini, recebeu 83 ministros da Cultura e representantes de todo o mundo como parte da Expo 2015 de Milão, a exposição universal. Os visitantes viram a Fundação Prada, desfrutaram de uma noite na ópera La Escala e admiraram a "Última Ceia" de Leonardo da Vinci. Mas também conversaram –sobre artes e cultura, e como promovê-las e preservá-las na era moderna. (Milagrosamente, os oradores em geral conseguiram manter seus comentários breves. Talvez tenham treinado no Twitter.)


Bem, tudo isso poderia levar algumas pessoas a perguntar: as preocupações fundamentais de nosso tempo não deveriam ser o terrorismo, a guerra, a economia, afome e a mudança climática? Por que deveríamos nos reunir para discutir algo tão comparativamente frívolo como ativos culturais? Afinal, Giulio Tremonti disse a frase famosa quando foi o ministro da Economia e Finanças da Itália: "Não se vive de cultura".

Na verdade, os ativos culturais de uma cidade, como casas de ópera de renome internacional e obras de arte de valor inestimável, podem estimular o desenvolvimento econômico. Além disso, a conversa neste verão em Milão não ignorou o terrorismo e nem a mudança climática: os participantes discutiram como proteger as obras de arte de ataques terroristas e desastres naturais. No final, o evento em Milão foi um lembrete valioso de que, em um mundo composto de tantas culturas diversas vivendo em contato constante umas com as outras, nossos recursos culturais são fundamentais para nossa compreensão mútua e coexistência pacífica.

O mundo há muito sofre de uma falta de compreensão cultural. Antes dos movimentos de vanguarda do início do século 20, os europeus em grande parte consideravam a arte africana como sendo bárbara e incompreensível. Historicamente, alguns cristãos europeus ficavam consternados ao saber que templos indianos exibiam esculturas eróticas, e que certas religiões retratavam suas divindades em forma animal. (Vamos ignorar por um momento que, por séculos, o cristianismo ocidental retratou o Espírito Santo como um pombo.)

Muito mudou, é claro –e não apenas graças à antropologia cultural, que por mais de um século vem tentando persuadir os ocidentais a conhecerem e entenderem outras culturas. Isso também ocorre graças às melhorias no transporte e do turismo em massa. Hoje, multidões de japoneses podem visitar a Itália para ver a "Última Ceia" e outras importantes obras de arte, enquanto multidões de europeus podem facilmente ir ao exterior para ficar diante das pirâmides do Egito ou de templos asiáticos. Muitos de nós estão aprendendo a apreciar as coisas belas produzidas por outros povos –obras cuja existência era desconhecida para nós até relativamente pouco tempo atrás.

É verdade que a natureza do turismo moderno exige em geral que passemos algum tempo em locais que parecem os mesmos: falando de modo geral, um aeroporto internacional ou um grande hotel não são tão diferentes uns dos outros. Mas assim que saímos desses locais de aparência genérica, podemos encontrar beleza desconhecida e surpreendente.

Isso não quer dizer que esses intercâmbios culturais de alguma forma eliminarão o racismo, a xenofobia ou os conflitos políticos ou religiosos. Claramente, um encontro cultural não pode, por si só, salvar uma criança que passa fome na África. (O ex-ministro Tremonti pontuou seus comentários sobre não ser possível viver de cultura brincando que, talvez, devêssemos ir a um café e pedir um sanduíche "Divina Comédia".) Mas com certeza os estímulos culturais contribuem indiretamente para maiores esforços humanitários, ao inspirar gerações de pessoas a entenderem melhor outras sociedades e a darem uma mão àquelas em necessidade.

Em um mundo tão dominado por conflito militar e econômico, a disseminação da cultura e um conhecimento recíproco sobre a herança artística do outro podem ter uma influência profundamente positiva. As artes e cultura não estão separadas das questões mais urgentes de nosso tempo –pelo contrário, elas são cruciais para a conversa.

*Umberto Eco é autor dos best-sellers internacionais "Baudolino", "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault", é também professor de semiótica, crítico literário e romancista


Tradutor: George El Khouri Andolfato do portal Uol. 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Colunistas

Por Hérlon Cavalcante
Coluna do Jornal Vanguarda.
Aquarela popular

A cultura do meu povo
É feita com muita arte
Não se divide por parte
É flor de mandacaru
Que brota no coração
Na pisada do baião
Mantém viva a tradição
No país de Caruaru.

É baião, é mazurca
É xaxado, é forró,
A quadrilha dá um nó,
Cheiro de terra é perfume
Fazendo o povo a dançar
Alegria solta no ar
E a cultura popular
Mantendo sempre o costume.

Som do pife é uma festa
O boi traz o folguedo
Mamulengo é meu brinquedo
Bacamarte e trio pé-de-serra
O barro cumpre seu papel
O aboio toando o véu,
O repente e o cordel
É bandeira em minha terra.

A batida da zabumba
O triângulo no ponteio
A sanfona pelo meio
Trazendo sempre harmonia
Dedilhando a correr
A lua veio dizer
Que o sol pode se esconder
Pra nascer um novo dia.


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Existe crise?

O principal desafio das Ciências Sociais é interpretar adequadamente a conjuntura. Quando isto não ocorre, análises conduzem os leitores à constatação equivocada da realidade. Na análise conjuntural não se deve desprezar os fatos e a qualificação adequada do momento que dado país vive.
Desde FHC, as instituições brasileiras avançam. A Lei de Responsabilidade Fiscal incentivou os gestores a boas práticas de governança. Privatizações possibilitaram a diminuição dos espaços do estado e, por consequência, enfraqueceu a dinâmica clientelista presente no presidencialismo de coalizão. Na era Lula, a Ação Penal 470 permitiu que políticos fossem condenados pelo STF.
Em 2014, na era Dilma, a Operação Lava Jato é iniciada. Em razão dela, diversos empresários e políticos foram detidos. Um grande escândalo de corrupção pública envolvendo a Petrobrás veio à tona em razão das ações da Justiça Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal. Variados órgãos de comunicação noticiam as ações advindas da Operação Lava Jato. E da cobertura midiática, diversos fatos, que requerem julgamentos de valor por parte da opinião pública, brotam.
Os escândalos de corrupção que abundam no noticiário sugerem que as instituições brasileiras avançam e que aos poucos a paralisia deixa de fazer parte delas. Governos, independentes dos que estejam no exercício do poder, sofrem com acusações. Porém, desde a curta era Itamar, nenhum presidente da República foi acusado oficialmente por crime de responsabilidade ou falta de decoro.
No âmbito econômico, a alta da inflação, neste ano, não sugere, ainda, de modo algum, que o Brasil voltará à conjuntura econômica antes do Plano Real. O pífio crescimento econômico de 2014 e, certamente, deste ano, não permite que ondas de pessimismo invadam as cabeças sábias. Relatórios econômicos de variadas instituições presumem que em 2016, caso o ajuste fiscal seja aprovado, o Brasil voltará a crescer. Os avanços sociais ocorridos desde as eras FHC e Lula podem sofrer momentânea paralisação e ínfimo retrocesso neste ano. Mas tais possibilidades não sugerem desastres.
No presidencialismo de coalizão, presidentes da República disputam a supremacia nos campos midiáticos e Legislativo com os membros do Parlamento. Tal dinâmica, costumeiramente, possibilita disputas, arengas. Porém, em dado momento, algum ator, presidente ou congressista, cede e a relação volta à normalidade, ou seja, os conflitos diminuem.
Desde junho de 2013, manifestações implodem nas ruas do Brasil. Redes sociais são arenas de disputas eleitorais. Pesquisas de opinião mostram que a presidente da República, agremiações partidárias e Parlamentos sofrem de déficit de confiança. Diante de tantos fatos, suspeita-se que o Brasil vive o caos. Mas tenho outra interpretação: o Brasil avança institucionalmente e mais eleitores exigentes e inquietos surgem.    

Informações: Adriano Oliveira. Cenáriointeligencia.com.br.  

Perfil: Doutor em Ciência Política. Professor da UFPE - Departamento de Ciência Política. Coordenador do Núcleo de Estudos de Estratégias e Política Eleitoral da UFPE. Colaborador do Instituto de Pesquisa Maurício de Nassau. Cenário Inteligência -http://www.cenariointeligencia.com.br.

sábado, 18 de abril de 2015

Coluna no ON: Direitos iguais

Somos todas Verônica ? 

Nesta semana, a travesti Verônica Bolina tornou-se notícia.
De acordo com relatos da imprensa, gestores públicos e de pessoas ligadas à Verônica, a mesma havia se envolvido em uma discussão com outras travestis, resultando em mútuas agressões, além de graves ferimentos em uma vizinha. O fato que suscitou o interesse público, no entanto, não foi mais uma briga de vizinhos, tão insignificante nos dias em que a violência assombra pela sua grandiosa dimensão e onipresença. Duas imagens justificam a atenção para o caso: por um lado, Verônica com o rosto deformado, seguida da exposição do seu corpo desnudo; do outro, a orelha de um agente carcerário arrancada por uma mordida da travesti.
De imediato, as imagens de Verônica causaram comoção e mobilizaram militantes sociais e gestores públicos. A suspeita era de que a mesma havia sido submetida à tortura. De forma mais apressada, a versão oficial apresentada pelos órgãos públicos, sustentada por áudios da própria travesti, apontam a inexistência de quaisquer maus tratos, bem como seu reconhecimento de culpa pelos atos praticados e, mais ainda, sofridos.
A agressão não despertaria atenção, não fosse o fato de que no centro dos acontecimentos encontra-se uma travesti. Ainda que os seus gestos constituam crimes, que devem ser punidos adequadamente, não é compreensível que o Estado destine tratamento desigual ou inadequado à Verônica!
Importa afirmar que qualquer conclusão sem as devidas averiguações, tendentes a afastar quaisquer hipóteses de violação de direitos (mesmo a prática de tortura), por si só, já significa tratamento inadequado. Antes de concluir pela inexistência de maus tratos ou outros tratamentos degradantes, é preciso, por exemplo, que testemunhas sejam ouvidas, para elucidar se o grau de violência resultante da briga com outras travestis foi suficiente para desfigurar o rosto de Verônica.
De igual modo, é preciso apurar quem são os responsáveis pela indevida divulgação das fotos em que Verônica a
parece exposta desnuda, desrespeitando a sua intimidade. A violação da sua imagem, permitindo que esta sirva de deboche e escracho nacional, constitui afronta à sua dignidade e desrespeita direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal.

Segundo o site G1, a travesti vai responder pelas condutas criminosas de evasão mediante violência contra a pessoa, resistência e lesão corporal grave. 
Neste particular, cabe especial análise: há elementos que indicam o cometimento dos dois primeiros crimes, no entanto, soa absurdo tipificar a agressão ao agente carcerário como lesão corporal grave.
Para o Direito Penal, a lesão corporal de natureza grave é aquela que resulta na incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias, perigo
de vida, debilidade permanente de membro, sentido ou função ou, ainda, aceleração de parto (Art. 129, § 1º, Código Penal).
É pressuposto à aplicabilidade da norma penal a sua máxima objetividade. Assim, para que se constitua uma lesão corporal grave, é preciso que o ato criminoso resulte em uma situação que, de fato, coloque a vítima em situação de pleno risco, em que a morte é uma possibilidade real. Ainda, que os efeitos impeçam a continuação da vida profissional plenamente. Ora, em pese a gravidade de ter a orelha arrancada por uma mordida, as situações apresentadas pela legislação penal não se inserem no Caso Verônica.


Quando um professor de filosofia foi barbaramente agredido por cinco skinheads, em São Paulo, a autoridade policial competente entendeu tratar-se delesão corporal leve. Tal feito impediu a imediata prisão dos agressores, uma vez que este tipo de crime, de natureza leve, não autoriza o encarceramento dos responsáveis. As imagens das agressões sofridas dizem muito a respeito da dimensão da gravidade que as lesões provocaram no professor. Por que, no caso Verônica, outra interpretação da lei deve prevalecer de modo a atribuir-lhe maior pena?
A correta definição da conduta praticada por Verônica é importante para estabelecer que tipo de sanção será aplicada antes de seu julgamento, o que poderá resultar em prisão preventiva ou não. Também, para orientar a devida aplicação da pena, uma vez que o juiz poderá substituir a sentença de detenção por multa.
Vale destacar que a ideia de Estado Laico deve igualmente prevalecer na apuração de crimes praticados por cidadãos LGBT. Mesmo que Verônica tenha admitido que estivesse “possuída”, razão que em seu entendimento justifica as agressões cometidas e sofridas, é dever dos órgãos de segurança pública afastar elementos estranhos à razão pública, apurando as reais motivações dos crimes para a devida punição, tanto para a travesti, quanto para os agentes do Estado que tenham cometidos abusos. Do contrário, a mera constatação de fenômenos sobrenaturais result
ará na aplicação de punição apenas para Verônica e isenção de culpa para os que eventualmente tenham exacerbado no seu dever de apenas conter e imobilizar pessoas que estejam cometendo crimes.
Neste particular, cabe uma ressalta importante: depoimentos de Verônica não devem servir como única prova para excluir quaisquer responsabilidades de agentes que eventualmente tenham cometido abuso de poder. É uníssono o entendimento jurisprudencial que assegura que a prova de confissão não exclui o dever de completa apuração de crimes. As imagens do seu rosto completamente desfigurado justificam suspeitas quanto à natureza de suas “confissões”.
Ante os fatos descritos, é preciso atentar-se a duas situações.
A primeira delas diz respeito ao acompanhamento dos procedimentos que estão sendo adotados para apurar os fatos criminosos. Trata-se da necessidade de acompanhamento externo do inquérito policial, por advogados ou defensores públicos, de modo a garantir a ampla defesa e assegurar o respeito aos direitos fundamentais de Verônica, atentando-se ao pleno respeito à sua identidade de gênero.
Em segundo lugar, é preciso que as regras para travestis e transexuais em situação de cárcere sejam fielmente cumpridas. O Estado de São Paulo adotou a Resolução SAP nº 11, de 30 de janeiro de 2014, que estabelece normas de tratamento para travestis e transexuais no âmbito do sistema carcerário. Não é cabível que órgãos deste Governo descumpram as regras por ele estabelecidas! Deste modo, a fim de evitar que a identidade de gênero de Verônica seja tomada para fragilizá-la, é urgente que os direitos assegurados na referida Resolução sejam cumpridos, em especial a escolha da unidade prisional que pretende ficar, caso seja imposta prisão preventiva, escolha do tratamento nominal (nome social), preservação das características femininas (por exemplo, a proibição do corte de cabelo) e acompanhamento médico condizente com a sua condição de travesti.
Não se trata de buscar privilégio à Verônica, senão de assegurar o tratamento condizente com a sua identidade de gênero, fator estimulante da homofobia/transfobia que vulnerabiliza a sua condição de cidadã, bem como assegurar a justa aplicação das leis, que devem ser igualmente impostas a todas as pessoas.
Em que pese a credibilidade de gestores públicos, a cultura da violência, institucionalizada nas hastes do Estado, ultrapassa as boas intenções. Via de regra, a violação de direitos praticada pelos agentes públicos não se resume à prática de tortura; outras formas de tratamentos degradantes ferem a dignidade das pessoas e devem merecer total repúdio e corajosa investigação. Somente a adequada apuração pode, efetivamente, afastar oportunistas de plantão, ávidos por reforçar discursos contrários à dignidade de travestis e transexuais ou insaciáveis por 15 minutos de fama.
O caso Verônica pode tornar-se emblemático. Seja por nos ensinar a tratar com menos ufanismo e oportunismos a violência homofóbica, seja por contribuir para a construção de outra cultura de tratamento à população LGBT pelos órgãos de segurança pública e de encarceramento.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Por Fernando Rodrigues

Lista do HSBC na Suíça revela empresas da Lava Jato em paraísos fiscais

Análise detalhada de milhares de fichas de correntistas da agência de “private bank” do HSBC de Genebra, na Suíça, indica que muitos operavam por meio de empresas em paraísos fiscais. Esse é o caso de pelo menos 9 dos 11 integrantes da família Queiroz Galvão –que comandam as empreiteiras Galvão Engenharia e Queiroz Galvão– e que têm contas numeradas no exterior.
As empresas estão em Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas, um território ultramarino do Reino Unido, na região do Caribe. São três offshores: Fipar Assets Ltd., Montitown United Ltd. e Melistar Management Inc.
A revelação da existência dessas empresas pode contribuir na investigação da Operação Lava Jato. Na apuração das acusações contra a Galvão Engenharia e Queiroz Galvão, a Polícia Federal e o Ministério Público poderão solicitar informações a respeito de fluxo financeiro dessas empresas com sede em paraísos fiscais.
O Brasil tem acordos de cooperação com vários países e pode receber dados sobre movimentação bancária em determinados casos. Se o comando da Operação Lava Jato desejar, será possível requerer dados a respeito de transferência de recursos de e para essas empresas ligadas à família Queiroz Galvão.
A Operação Lava Jato mantém preso no momento Erton Medeiros Fonseca, diretor-presidente da Divisão de Engenharia da empreiteira Galvão Engenharia. Outros diretores das duas empreiteiras sempre frequentam as listas de acusados.
Já são considerados réus no âmbito da Lava Jato os empresários Dario e Eduardo de Queiroz Galvão, ambos da Galvão Engenharia.
Todas as informações para preparar esta reportagem foram obtidas pelo ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos) numa parceria com o jornal francês “Le Monde”. A investigação foi batizada de SwissLeaks (vazamentos suíços) porque teve origem no maior furto de dados bancários da história, numa agência do HSBC, em Genebra.
A coordenação da apuração do SwissLeaks no Brasil é feita com exclusividade peloUOL, por intermédio do jornalista Fernando Rodrigues, que é integrante do ICIJ.
Diferentemente do que se imagina, não existe uma “lista de contas” produzida pelo HSBC na Suíça. O caso está detalhado neste post “Entenda o caso SwissLeaks-HSBC”. Em resumo, o que está disponível para um grupo selecionado de jornalistas são centenas de milhares de fichas com dados individuais de pessoas que mantiveram contas numeradas e secretas no HSBC. Os registros são de 2006 e 2007 –embora mencionem todo o histórico das contas que ainda estavam no arquivo do banco naquela data.
A “lista do HSBC” foi resultado de um extensivo trabalho jornalístico de filtragem produzido ao longo de vários meses pelo ICIJ. O material está sendo constantemente aperfeiçoado para permitir pesquisas mais requintadas na base de dados –além de evitar duplicidades e incorreções nos valores atribuídos a cada correntista.
As contas bancárias mantidas pela família Queiroz Galvão e as respectivas empresas offshore usadas pelos correntistas são as seguintes:

Como se observa, os registros que vazaram do HSBC são generosos inclusive no que diz respeito a dados antigos. Maurício Galvão e Gabriela Pedrosa Galvão tiveram suas contas fechadas em 1993, mas continuavam a aparecer nos registros do banco em Genebra.
Embora tenham origem em um mesmo grupo familiar, hoje as duas empreiteiras citadas neste post são empresas separadas. A Galvão Engenharia foi fundada em 1996 por Dario de Queiroz Galvão, pai de Mário, Eduardo e Dario, após vender sua participação na empreiteira Queiroz Galvão.
OUTRO LADO
Por meio de sua assessoria, a empreiteira Queiroz Galvão negou irregularidade na existência das contas na Suíça. A empresa não comenta a operação por meio de offshores:

“A Queiroz Galvão afirma que todo o patrimônio dos seus acionistas porventura existente no exterior sempre se submeteu aos registros cabíveis perante as autoridades competentes”.
A Galvão Engenharia, por meio do advogado da família, José Luis Oliveira Lima, disse apenas não ter “nada a declarar”.
Qualquer brasileiro pode ter uma conta na Suíça ou em outro país. Mas para que a operação seja legal é necessário informar sobre a saída do dinheiro ao Banco Central e declarar à Receita Federal a existência da conta no exterior. Quem não procede dessa forma está cometendo uma infração fiscal e também o crime de evasão de divisas –cuja pena varia de 2 a 6 anos de reclusão, além de multa.
Embora a sonegação fiscal prescreva em 5 anos, no caso da evasão o prazo é mais longo, de até 12 anos. Ou seja, não importa que os saldos das contas bancárias sejam de 2006 ou de 2007, como é o caso dessa listagem com dados sobre os correntistas do HSBC na Suíça.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Estreia no ON "Mensagem de fé" por Alan Erbert

Fé, uma questão de inteligência!

Foto: FT Fotografia / Daniel Barros do ON express 
Sempre que se aborda o tema fé quase que a totalidade das pessoas remete seu pensamento à religião.

Entretanto de uma forma ampla esta palavra verificada em dicionários tem o significado de confiança, convicção.
Pela bíblia podemos ler que fé “é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.” (Hebreus 11:1)
Por uma conclusão óbvia ao apertarmos o interruptor para acendermos a luz temos fé, pois temos convicção que a luz acenderá devido a energia elétrica, apesar de não vê-la.

Da mesma forma ao respirarmos a nossa fé esta em ação, pois temos certeza que nossos pulmões serão preenchidos de ar devido ao oxigênio, apesar de não vê-lo.
Isso é uma questão de inteligência, afinal não podemos contradizer o incontestável, ou teríamos que viver no escuro ou até mesmo morrer sem fôlego.
Assim acontecem várias vezes durante o nosso dia, ao acessarmos a internet, ao usarmos o telefone, e assim por diante.

Desta forma o natural é também recebermos bênçãos espirituais pela fé, tendo a confiança que ocorrerão. Uma questão de inteligência.
Queremos claridade, apertamos o interruptor e acendemos a luz, pois ali é o lugar onde este milagre acontece.
Queremos respostas as nossas orações, falamos com Jesus, pois ali é onde nossos milagres acontecerão (João 14:6).


Por: Alan Erbert

COLUNA DE ROGÉRIO JORDÃO NO ON

Não foi por 20 centavos, será por 50?

Vai ser interessante acompanhar, ao longo desta semana, as reações ao aumento da tarifa de ônibus em diferentes cidades. Um ano e meio atrás, como se sabe, as manifestações do Movimento Passe Livre em São Paulo e a brutal repressão policial foram o estopim de gigantescas manifestações de rua no país, quando “o gigante acordou”.
Não era por 20 centavos se disse à época, será por 50 centavos agora? Passadas as jornadas de protestos, a Copa do Mundo, as eleições nacionais, o que ficou daquela difusa revolta popular?
Na capital paulista a tarifa vai a R$ 3,50. No que pese o passe livre para estudantes de escolas públicas e privadas (parcial), é um reajuste e tanto para um serviço mal avaliado pela população.
Uma pesquisa realizada pelo Ibope e Rede Nossa São Paulo em setembro de 2014 mostrou que entre os usuários de ônibus, a “lotação” e o “tempo de espera” são os principais problemas do sistema na capital paulista. Em nenhum quesito – de “limpeza e conservação” dos ônibus até “cordialidade dos motoristas e cobradores” – o público deu nota acima de cinco para o serviço prestado, em uma escala que ia de Zero (totalmente insatisfeito) a 10 (totalmente satisfeito).
Como vai reagir a população – que fica em média diariamente 2 horas e 46 minutos dentro de um ônibus em SP — ao aumento?
O grande efeito imediato das manifestações de junho de 2013 foi que prefeitos e governadores em diferentes capitais voltaram atrás na decisão de aumentar o transporte público. Isto teve um impacto simbólico grande: não é todo dia que as pessoas na rua conseguem reverter uma decisão governamental ou vinda “de cima” em qualquer instância, no Brasil ou em qualquer parte do mundo. Provavelmente por ter obtido um resultado concreto inédito, e por ter expressado sentimentos e insatisfações bem além da questão do transporte, a revolta dos 20 centavos em junho de 2013 tenha ganhado o país e a simpatia ampla, geral e irrestrita da população, conforme mostraram as pesquisas.
E agora?
Diversas manifestações estão marcadas pelo Movimento Passe Livre. Em SP deve ocorrer na sexta-feira, dia 9. Na página do movimento no Facebook dá para acompanhar as movimentações no Rio, Santa Catarina e outros lugares.
Terão o poder de acender algum estopim essas mobilizações?
Ou o Brasil já terá entrado em outro ritmo, no qual o recado das ruas já foi “assimilado” de alguma maneira – e as futuras revoltas, se acontecerem, se darão em formatos que sequer podemos imaginar, a nos pegar de surpresa, como em junho de 2013, como a expressão de um país que segue sob a sina da imprevisibilidade, quase que em estado líquido?

Siga-me no twitter! (@rogerjord)
Rogério Pacheco Jordão, 46, é jornalista e sócio-diretor da Fato Pesquisa e Jornalismo (FPJ), empresa de consultoria nas áreas de pesquisa e editorial.Mestre em política comparada pela London School of Economics (LSE), escreveu o livro ‘Crime (quase) Perfeito - corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil’. Paulistano, mora no Rio de Janeiro há mais de década, onde é pai de duas crianças.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Bolsonaro pode ser muita coisa, mas definitivamente não é um estuprador

Por Rachel Sheherazade/ Jovem P


Jair Bolsonaro se desentende com
Maria do Rosário em 2003
Não se sabe se por despeito ou por hipocrisia, o fato é que na cerimônia de diplomação dos parlamentares eleitos, 5 “gatos pingados” do Psol deram as costas ao deputado Jair Bolsonaro.

Era um protesto contra a declaração de Bolsonaro de que não estupraria a deputada Maria do Rosário.
Agora estão todos contra Bolsonaro: partidos de esquerda, alvos constantes dos torpedos do deputado, as feminazis, ou melhor, feministas, as organizações de direitos humanos e congêneres...



O Ministério Público fez uma denúncia contra o deputado pelo mesmo motivo e alguns partidos, pediram a cabeça do político, campeão de votos pelo Rio de Janeiro e, não por acaso, entrando em seu sétimo mandato.

Muita gente se sente representada pelo ex-militar, caso contrário não teria recebido quase 500 mil votos.

A Comissão de Ética da Câmara vai julgar o comportamento de Bolsonaro no plenário.


Mas é bom que se conte essa história do começo para colocar, como diria meu colega Reinaldo Azevedo, todos os pingos nos is.

O episódio na Câmara não foi o primeiro da saga Rosário versus Bolsonaro.

Em 2003, quando ainda era secretária dos Direitos Humanos, dona Maria interrompeu uma entrevista de Bolsonaro e o provocou.

O episódio foi gravado pelas câmeras da RedeTv e todo o bate-boca está disponível na internet:

Enquanto o deputado falava sobre violência e a redução da maioridade penal, Maria acusa primeiro:

- O senhor é o responsável por toda essa violência!
Bolsonaro pergunta:
- Então eu sou estuprador agora?
- É. Afirmou categórica, a hoje, vítima Dona Maria.
- Então, Bolsonaro deu-lhe uma resposta bem mal-criada:
- Jamais iria estuprar você, porque você não merece!
Ora, Bolsonaro pode ser muita coisa, mas definitivamente, não é um estuprador. 
Aliás, é um ferrenho defensor da punição a estupradores menores de idade, inimputáveis graças à manutenção da menoridade penal, esta sim, defendida por Maria do Rosário e sua trupe.

Para quem não sabe, é do deputado Jair Bolsonaro o projeto de lei que propõe a castração química de estupradores. Apesar de apresentada em 2013, estamos entrando em 2015 e a proposta, que é do interesse maior da sociedade, principalmente, das mulheres vítimas de violência sexual, repousa na Comissão de Constituição e Justiça desde julho.

Quero voltar à polêmica fala de Bolsonaro repetida recentemente à Maria do Rosário.

Ele disse: - Eu jamais iria estuprar você, porque você não merece! “Jamais” significa “nunca”, “nunca” é negação.

Bolsonaro recusa o rótulo de estuprador, imposto por Rosário, e ainda diz: você não merece ser estuprada. Nem ela nem ninguém.
Mais uma vez, os opositores de Bolsonaro querem distorcer suas palavras e manchar sua reputação para desacreditá-lo como homem, militar e parlamentar.

É inaceitável.

Se querem processar Bolsonaro por incitação ao crime, aproveitem e processem Maria do Rosário por calúnia e difamação.

Ao ter acusado Bolsonaro de ser estuprador em frente às câmeras de uma TV, dona Maria atentou contra a honra do deputado , imputando-lhe um crime que ele jamais cometeu.

Se Maria não merece ser estuprada. Bolsonaro não merece ser tachado de estuprador.

E que a justiça seja feita! Sem sexismos, sem ideologismos....

Direto de São Paulo,  Rachel Sheherazade/ Jovem Pan News.